Archive for janeiro, 2008

Janaína, de 7 anos, Rita, de 4, Luan, de 2, Wesley, de 3, e André, de 9, sonham com um Natal aconchegante,

crianças

Meninos e meninas brincam com a árvore no abrigo e esperam a generosidade natalina de padrinhos

perto de primos, irmãos, amigos e muitos brinquedos. Mas esse desejo não é tão simples de virar realidade. Eles e outras 500 crianças e adolescentes, vítimas de maus-tratos, moram em abrigos e estão longe da família. Por isso, 23 casas de acolhimento em Belo Horizonte, em parceria com o Juizado da Infância e da Juventude, criaram o Programa Conviver, que tem o objetivo de oferecer a oportunidade para meninos e meninas abrigados passarem o feriado natalino com padrinhos voluntários. As portas dos abrigos estarão abertas até sexta-feira a quem tiver interesse de se candidatar a ficar com um deles.

Perto do pinheiro com bolas multicoloridas do abrigo TJ Criança Abriga, no Bairro Santa Efigênia, na Região Leste de BH, os meninos contabilizam os brinquedos que já ganharam e sonham com os possíveis futuros presentes do Papai Noel. Eles ainda esperam por uma mesa farta, regada com muito amor e carinho. De acordo com o presidente do Centro de Voluntariado de Apoio ao Menor (Cevam), Ananias Neves Ferreira, a iniciativa surgiuna década de 90 e dura o ano todo. No entanto, no período natalino fica mais forte a necessidade de as crianças passarem as festas em um ambiente familiar.

“A moeda de troca do programa é cunhada pelo amor e pela afetividade. O clima em família é completamente diferente do do abrigo. Mesmo sabendo que os ‘pais’, os ‘irmãos’ e ‘tios’ não são biológicos, o que importa é a alegria e a novidade de ter um vínculo, mesmo que passageiro. Ano passado todos foram beneficiados, espero que dessa vez isso se repita”, afirma Ferreira. Antes de levar a criança ou adolescente para casa, o padrinho é entrevistado pela assistente social e outros profissionais. “A indicação da criança é feita por nosso psicólogo. Geralmente, quando dois irmãos estão abrigados, passam o Natal juntos, na mesma família. É comum também a permanência da criança até o ano-novo, retornando ao abrigo no dia 2. Muitos padrinhos, no entanto, pedem autorização para continuar com os meninos durante as férias”, acrescenta. As pessoas costumam procurar a casa de acolhimento mais próxima de sua residência. Moradores da Grande BH também podem participar.

A mãe social Bernadeth de Aguiar Costa, de 51 anos, diz que quando as crianças saem e retornam à casa de acolhimento voltam muito mais alegres e criativas. “Há menores que saíram de uma realidade muito dura, como violência doméstica, sexual ou por negligência dos pais. Então, em uma oportunidade como essa, ficam muito ansiosos para passar as comemorações com famílias de verdade.”