Um grupo de servidores do TJMG reuniu forças e implantou o TJ Criança Abriga, que tem por finalidade abrigar crianças em situação de risco social e pessoal.
A idéia de formar um núcleo surgiu há cerca de seis anos e cresceu com o engajamento de pessoas que têm a predisposição de ajudar o semelhante. O presidente do TJ Criança Abrigae diretor do Departamento Odontológico do Tribunal de Justiça, Itamar de Carvalho Ribeiro, lembra que muitos servidores manifestavam o interesse e a sensibilidade para a prática de ações sociais e a criação do núcleo uniu essas pessoas.
O próximo passo foi a formatação de um estatuto que envolvesse tanto a composição quanto estrutura e finalidade dessa idéia.
O TJ Criança Abriga, seria uma entidade civil, de direito privado, de natureza filantrópica e sem fins lucrativos. Visa abrigar crianças entre três e seis anos, em um sistema de co-educação. Ficou definido que seriam atendidas, no máximo, 15 crianças.
Hoje, nove crianças esperam na casa conquistada, através de um contrato de comodato, famílias que as queiram adotar e lhes ofereçam um novo lar. No TJ Criança Abriga, essas crianças recebem, além de carinho e atenção, educação, alimentação, moradia, assistência médica, psicológica e odontológica. Um psicólogo, uma mãe-social, uma monitora, dois funcionários e um motorista formam a equipe do abrigo.
As crianças participam de diversas atividades pedagógicas e de lazer. Voluntários são estimulados a passar finais de semanas ou feriados com elas, sob a supervisão do psicólogo. O objetivo é criar laços de afetividade entre os “padrinhos” e essas crianças e, ainda, encontrar possíveis casais para adotá-las. Os voluntários, quando entregam as crianças, respondem a um questionário, com perguntas relacionados ao convívio com os menores, o que constitui mais uma ferramenta de apoio ao trabalho desenvolvido.
Itamar Ribeiro avalia que as primeiras nove crianças chegaram muito agressivas ao abrigo. Resultado de inúmeras violências assimiladas, não só físicas como psicológicas. Mas, conforme pondera, a partir de um trabalho direcionado a minimizar os traumas adquiridos, hoje, essas crianças têm outro comportamento e estão preparadas para o convívio com outras pessoas.
O TJ Criança Abriga sobrevive de doações de servidores, do TJMG, campanhas de arrecadação e cestas básicas, resultado de penas alternativas aplicadas a apenados.
“O retorno é extremamente gratificante. É como dar às crianças um suporte para que elas se estruturem e alcancem objetivos quando crescerem. Para os voluntários, a recompensa é cada conquista, cada sorriso das crianças”, sintetiza Itamar Ribeiro.Fonte:TJ/MG