• Depoimentos

    Há alguns anos, levo meus alunos de direito para conhecer o TJ Criança. O trabalho desempenhado pela instituição é muito sério e inspirador.  Este contato entre o mundo acadêmico e os projetos sociais é fundamental para que os alunos percebam a importância de serem solidários no mundo de hoje. Eles sempre adoram e pedem para repetir a visita.

    Professora Thais Câmara Maia Fernandes Coelho

    Advogada. Professora de Direito de Família e Estatuto da Criança e Adolescente no UNI BH e Faculdade Promove.

    As Crianças do TJ Criança Abriga e Eu e as Crianças do TJ Criança Abriga.
    Voluntário! Será mesmo Voluntário?
    Tangido pelo Amor do Cristo, estou há tempos, pouco tempo, três anos, mas, muito tempo de:
    sentimento, emoções, vivências, troca de carinhos, brincadeiras. Imersão total no mundo lúdico das Crianças do TJ Criança Abriga.
    Hoje, não me sinto voluntário, sou, na verdade, um membro da família – TJ Criança Abriga – que ama, que sorrir, que chora, que, às vezes, fica triste, mas que tem muitos motivos para ser feliz.
    Muito tenho para escrever sobre o meu relacionamento com o TJ Criança Abriga, principalmente em relação às crianças, mas ficarei restrito ao meu sentimento de Amor e gratidão que sinto por esta casa de seres humanos.
    “Não importa onde você parou…
    Em que momento da vida você cansou…
    O que importa é que sempre é possível recomeçar.
    Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
    É renovar as esperanças na vida e,
    o mais importante…
    Acreditar em você de novo que pode uma criatura senão,entre criaturas,amar?
    Amar e esquecer,Amar,desamar,amar?
    Sempre,e até de olhos vidrados,amar?…”
    Carlos Drummond de Andrade.
    Gilberto Gonçalves dos Reis (Amigo do TJ Criança Abriga)

    A definição de criança nos reporta a um ser humano no início do seu desenvolvimento. E para o seu desenvolvimento é importante que tenha um referencial adequado de vida. Um tratamento com amor, educação e alimentação adequdas. Só assim poderá tornar-se um cidadão.
    O Tj criança abriga, quando foi criando, buscou e ainda busca dar o mínimo necessário a uma criança, para que esta possa se tornar uma pessoa com um futuro melhor, seja com seus pais biológicos ou famílias substitutas.
    Nestes dez anos de fundação e oito de efetivo funcionamento, temos observado que quando este referencial de vida, de família, de cidadão existe, o futuro desta criança estará garantido.
    É muito gratificante para mim e, acredito que para todos que estão envolvidos na manutenção e funcionamento da Casa, saber que as histórias de vida destas crianças podem ser mudadas. Saber que estes pequenos seres humanos terão e serão felizes, com um futuro mais dígno. E nesta data, só tenho a agradecer a todos que direta e indiretamente tem nos ajudado. Que Deus os abençoem.
    Itamar de Carvalho (associado-fundador do TJ Criança Abriga)

    O TJ CRIANÇA ABRIGA nasceu de uma demanda provocada por mim e pelo Itamar Ribeiro, dentista. Eu era o rei da sacolinha e o maior pedinte do TJMG. O Itamar era (e ainda é) o meu herói e o cara mais caridoso que já conheci pessoalmente. Visitávamos creches sem a mínima organização, distribuíamos roupas e comidas nas ruas, embaixo de viadutos e outras pequenas atividades, mas isso não era algo “palpável”. Então, resolvemos fazer algo mais compromissado e elaborado e a idéia se transformou em algo que já dura 10 anos. Pena que muitos que se autoconvidam para ajudar fiquem apenas nas boas intenções. Falam e falam que aparecerão por lá, que farão isso e aquilo e não passam nem perto do bairro. Lamentável, pois há tanto para se fazer e, quem faz sabe, tudo que emitimos em prol dos menos assistidos pela sorte volta em dobro para nós.
    Da mesma forma digo que o TJ-CRIANÇA ABRIGA é atitude. Nós, que colocamos a “mão na massa”, não ficamos assentados, de braços cruzados, esperando que o Governo resolva os problemas da comunidade, que ele faça algo por nós e pelas crianças desassistidas. Cada uma dessas que é acolhida, abrigada, educada e amada por nós é menos uma a se voltar contra a sociedade, seja em forma de assaltos, prostituição, estupros e diversos crimes. Em resumo, ajudando essas crianças estaremos nos
    ajudando e, inclusive, dando exemplo para os demais que o engajamento compensa e é gratificante.
    Um impedimento para que demais pessoas ajudem é o fator tempo, que é o mais difícil de doar. Enfiar a mão no bolso, embora seja algo louvável, e não tão fácil de se conseguir, é o menos trabalhoso. Sempre temos tempo para tomar cervejas com os amigos, viajar, ver novelas e futebol, ler um livro…, mas quando somos convidados para qualquer filantropia, tudo muda. “Não posso; não tenho tempo; depois eu vou; agora não dá; quando eu puder, eu irei; se me der carona, posso pensar em ir…” e mais um tanto
    de pérolas de evasivas. Quando a pessoa descobrir que já não tem mais vigor, mais condição de se locomover e, talvez, mais saúde e idade, poderá se lembrar de quando podia fazer algo e não o fez. Por isso, a hora é agora! Participe e doe um pouco de você. Todos ganharão com isso.
    Paulo Antônio de Almeida Bastos (associado-fundador – Copat)

    Voluntário segundo o Dicionário Aurélio significa: que age espontaneamente, de vontade própria. Quando cheguei ao TJ Criança Abriga para prestar um trabalho voluntário ( Agosto/2007) em troca das horas que tinha que comprovar para a Faculdade em virtude de uma bolsa, disse ao psicólogo entrevistador do abrigo Vinicius: “ Eu não quero apenas cumprir horas , eu quero realizar um trabalho que possa contribuir na transformação e formação de cada criança”.
    Percebi que as crianças precisavam “sair fora” da estrutura do Abrigo para poderem se manifestar de outras formas em um outro ambiente. Então sugeri ao Vinícius na época que liberasse a ida das crianças todos os domingos pela manhã na Praça do BG(Floriano Peixoto) no Bairro Santa Efigênia próximo ao Abrigo.
    E aí começa a história do Voluntário Artur Felipe e as diversas gerações de crianças do TJ Criança Abriga. Quase todos os domingos saíamos em direção à Praça, primeiro no meu Fiat 147 inclusive levando várias bicicletas e velotrol e mais tarde quando troquei de carro pra um pálio weekend. Histórias que tenho a certeza marcaram a vida de todas as crianças que conheci e que
    não mais estão no Abrigo. Passeamos no Mc Donald, Parque Municipal, Mangabeiras, Circo, Praça JK, Shoppings e em minha casa.
    Logo no início consegui uma grana com o pessoal da empresa que trabalho (Saint-Gobain-Norton) e eles prontamente atenderam e ai consertamos as bicicletas que estavam estragadas e faltando peças e ficaram preparadas para o uso.
    Certa vez fomos ao Minas Shopping na Av.Cristiano Machado, passeamos, tomamos sorvete, eu e onze meninos do Abrigo. Na volta perto do Shopping paramos para almoçar, perguntei antes quanto a dona do restaurante cobraria para almoçar 12 pessoas; 01 acima de 30 anos, 02 acima de 10 anos e o restante a baixo de 7 anos.Ela fez um preço promocional e então pedimos os pratos, quando de repente começa a chegar á mesa vários refrigerantes, eu logo indaguei; eu ainda não pedi os refrigerantes e a garçonete responde “ aquela mulher lá no fundo do restaurante mandou entregar para todos e vai pagar”. Ai pedi para que cada criança se dirigisse à ela e fizesse o agradecimento acompanhado de um abraço. Sei que o mesmo sentimento que tive à ponto de me emocionar e agradecer à Deus pela atitude daquela mulher ela também teve ao dar um forte abraço em cada criança e receber delas o afeto e gratidão. Quando fui pagar a conta a Dona do Restaurante me deu mais um grande desconto e então percebi a ação de Deus naquele lugar através da felicidade de cada criança.
    Certa vez ensaiei com eles um hino cantado por muitos no ano passado (2009), Como Zaqueu, e então os convidei para cantá-lo na Igreja em que congrego. Foi muito marcante para mim e para toda a Igreja que assistiu.
    Não poderia deixar de citar a Bela Profissional que o Abrigo tem na sua administração, a Sra.Flávia que sempre me apoiou tendo a meu ver uma cabeça aberta e preparada para a visão do que é verdadeiramente um educador, uma educação de verdade e Flávia ver todos aqueles meninos em minha formatura na Faculdade eu jamais vou esquecer, pois mostrou que valeu a pena e que colhi o que plantei durante estes últimos três anos. Nunca vou esquecer dos almoços feitos pela Bernadete que por várias ocasiões almocei junto com os meninos e meu próprio filho juntos.
    O verdadeiro educador, não aprisiona e sim dá liberdade, não repreende e sim exorta, não exclui e sim inclui, não é ausente e sim participante, não cobra e sim se doa e acima de tudo não pede amor, ele ama e é amado. Com as crianças isto não é diferente, um ser humano pode implorar pelo amor de uma criança, mas elas reconhecem o coração de quem as amam.
    Crianças são de Deus, especiais para Deus. Em uma ocasião os discípulos de Jesus tentaram repreender uma criança e o Senhor amavelmente respondeu: “Deixai vir a mim as criancinhas; não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus” (Lc18). “Se você ficou ao lado de alguém e não foi capaz de transformá-lo, de que valeu sua presença?” Artur Felipe, Educador.
    Quero e vou continuar esta história que ainda não acabou e que ainda tem muitos frutos para se colher ao longo desta feliz caminhada. Muito Obrigado à todos do TJ Criança Abriga pela oportunidade de contribuir para um futuro melhor e realizador de cada criança.
    Artur Felipe dos Santos, educador e professor de educação física (voluntário do TJ Criança Abriga).

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